Publicado em
31 de agosto 2012
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Aproximadamente 20 mil pessoas prestigiaram os shows de Lenine e de artistas locais na noite de quinta-feira (30), na entrequadra da 312/313 Norte
Aproximadamente 20 mil pessoas prestigiaram os shows de Lenine e de artistas locais na noite de quinta-feira (30), na entrequadra da 312/313 Norte

A rua da entrequadra 312/313 Norte foi tomada por um mar de gente na noite de quinta-feira (30), durante a 32ª Noite Cultural T-Bone. Aproximadamente 20 mil pessoas se reuniram para prestigiar os shows de Máximo Mansur, dos poetas Vicente Sá, Paulo José Cunha, Nicolas Behr e Fabrizio Morelo, e da atração principal da noite, o cantor e compositor pernambucano Lenine. Mais uma vez o evento provou que a boa cultura pode ser feita na rua e com a participação do povo.

Era pouco mais de 21h quando o público começou a chamar por Lenine. No céu de Brasília, a Lua cheia iluminava a noite. Na terra, fãs, amigos e famílias inteiras aguardavam ansiosos pela entrada do recifense, que foi anunciado pelo ator e mímico Miqueias Paz em seguida. Acompanhado por Júnior Tostoi (guitarra) e pelo filho Bruno Giorgi (guitarra) e ovacionado pelo público, Lenine deu início à apresentação por volta das 21h30, com canções do último álbum, Chão, lançado em 2011.

Muito som e pouca conversa. Esse foi o espírito de Lenine, que parou o show pouquíssimas vezes para dialogar com a plateia. Em uma delas, o pernambucano ressaltou a surpresa ao se deparar com a multidão em plena rua, na capital da República. “Fui convidado para um evento de carne, mas não imaginava que seria essa bisteca toda”, brincou. 

Apesar das poucas palavras, não faltou interação. Com presença de palco contagiante, a voz do cantor se fundia às vozes dos presentes a cada música. No bis, um grande uníssono tomou conta da rua durante as canções que fecharam a noite: Paciência e Hoje eu quero sair só.

Interação e surpresa também marcaram a passagem de Máximo Mansur pela 32ª Noite Cultural. O cantor e compositor surpreendeu quem chegava ao local com com boas-vindas feitas através de canções irreverentes e criativas do seu último trabalho, Banana com farinha, lançado em 2011. “É uma honra estar aqui, neste lugar especial, com pessoas especiais, mostrando o meu trabalho para vocês”, declarou Mansur. E a plateia gostou. Com pedidos de “mais um”, o baiano radicado em Brasília trocou a música pela poesia no recital poético, do qual também era convidado.

Na parte literária da noite cultural, foi a vez dos poetas Nicolas Behr, Vicente Sá, Paulo José Cunha e Fabrízio Morelo darem um show de palavras. Em pouco mais de meia hora eles recitaram poesias e provocaram o público com temas atuais que vão de amor à política. “Temos sede de encontros e fome de abraços”, declarou Behr, ao falar do evento. Apoiador dos projetos culturais T-Bone desde o início, o poeta não se cansa de se surpreender. “Sempre me encanto. É uma festa pacífica. As pessoas vêm para curtir e curtem”, finalizou.

E os números comprovam a fala de Nicolas Behr. Segundo a Polícia Militar (PM), nenhuma ocorrência foi registrada no evento, cuja segurança foi feita por 45 homens da PM e do Batalhão de Trânsito. A 32ª Noite Cultural T-Bone teve patrocínio da Petrobrás e da Eletronorte.

Patrimônio de Brasília

Com mais de dez anos de existência, a Noite Cultural T-Bone faz  parte do Calendário Cultural oficial do Distrito Federal (Lei nº. 3.193, de 25 de setembro de 2003). Idealizado por Luiz Amorim, o projeto, um dos eventos mais esperados pelo público brasiliense, já trouxe à capital grandes nomes da música brasileira, como Ivan Lins, Milton Nascimento,  Zé Ramalho, Alceu Valença, Zélia Duncan,  Erasmo Carlos, Blitz, Elba Ramalho, Renato Teixeira, Antônio Nóbrega.